Bambu
- Milene de Souza
- 1 de mar.
- 2 min de leitura

Muitas vezes a vontade de desistir baterá na sua porta. Mas sabe qual é o sinal mais claro do universo que você terá? Deus enviará um sinal, seja ele bobo ou gigante; você precisará estar atento, e essa condição de atenção a gente não consegue facilmente.
Exercer algum grau de espiritualidade na vida requer atenção, flexibilidade para mudanças, abdicar de quem acha que é e muitos, muitos altos e baixos. É tudo uma delícia, mas no potinho delicioso também há frustrações, falhas e decepções.
"A quem muito é dado, muito será cobrado." É a frase que mais define o trabalho árduo e interno que é separar o que é do ego e o que é da Centelha. E nós somos Centelha; somos o nosso próprio oráculo (aprendi com um tarot que eu tenho). Buscamos tantas coisas fora e a intuição, o contato natural com o divino, perdemos… sempre a nos questionar acerca de questões materiais.
Esses dias falei aqui em casa: "A maioria das pessoas busca o 'e tudo mais será acrescentado' primeiro e o 'reino dos céus' somente em situações difíceis, que nos deixam sem saída — uma doença, um óbito de um ente querido, um desemprego ou qualquer situação em que fiquem de mãos atadas." Eu escolhi, há tempos, "buscar o reino dos céus"; sei que o restante me será acrescentado. Mas como eu sei? A intuição grita, mas a energia densa no 3D sempre quer me puxar para baixo. Teste em cima de teste.
Uma vez escutei, num rito xamânico, que eu era um bambu. Eu não me via daquela forma, mas alguém me via. Olhou nos meus olhos, pegou nos meus ombros e disse: "Você é um bambu — sempre balança na ventania, mas não quebra." Era um fato. Pensei: "Verdade, quantas situações já aconteceram e não quebrei?" E não irei quebrar. A única "quebra" é interna, mas é quebrando uma parte de nós que renascemos para o novo. Não existe jornada sem mudança, não existe jornada sem dedicação.
E eu? Dediquei este texto, pois, no início da semana, recebi um recado: "Compartilhe sua arte por meio das suas experiências. Sempre tem alguém passando por um processo, e você pode ajudar." E o que eu gosto de fazer nesta vida é criar e escrever.
E às raposas: "Não adianta, eu sou um bambu!"




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